quarta-feira, 31 de março de 2021

O Cruzeiro de Taipu de Fora (Boa Vista)


Imagens da relíquia encontrada no antigo Cemitério da Boa Vista, que resistiu às intempéries desses anos todos (imaginamos que a peça tenha mais de cem anos). A importância desse achado não se limita à beleza da peça, mas também, a referência a um Cruzeiro, cuja história já passa dos duzentos anos, e que traz fortes revelações da história da Vila de Taipu.

O Cruzeiro, ou a Cruz do Taipu de Fora, é citado por Câmara Cascudo, em seu livro, História da Cidade de Natal, a saber:

Do lugar Cruz do Taipu de Fora, ponto de confluência de duas estradas para a vila de São José pela Utinga e para a mesma Vila por Natal, seria uma pequena diferença de cinco léguas. E demonstra: “Da Cruz do Taipu de Fora ao engenho da Utinga são cinco léguas e desta à vila de São José, nove, total de treze léguas. Da mesma Cruz do Taipu de Fora à vila de Extremoz são cinco légua; de Extremoz a Natal, três léguas e de Natal a S. José, nove léguas, total de dezessete”. (Cascudo, História da Cidade de Natal, 1980, pág 319)

Para contextualizar a citação de Cascudo, vale uma explicação: Em 1812 o Governador da Capitania do Ceará criou um serviço de Correios, onde o caminheiro saía daquela província, passava na terra de Santa Luzia (Mossoró), Assú, São José do Mipibu, indo para a Paraíba e daí para Pernambuco; em 22/11/1817, o governador da Capitania do Rio Grande do Norte, coronel José Ignacio Borges, respondendo ao Governador de Pernambuco, general Luiz do Rego Barros, detalha a proposta para se criar uma segunda rota dos Correios, passando por Natal.

Importante algumas observações: em 1817 o serviço de correios ainda não passava por Natal, o que demonstra que a Cidade ainda era pequena; já existia um Cruzeiro em Taipu de Fora, o que sugere já haver certa densidade populacional na região; já havia em Taipu de Fora confluências de estradas, indícios de que o lugar era rota de viajantes.

Tínhamos, à época, três lugares com nomes de Taipu: Taipu Grande, região do Poço Branco velho; Taipu do Meio, atual sede do município; Taipu de Fora (ou Taipu de Baixo), onde havia o Cruzeiro.

Pelas evidências, parece que Taipu de Fora, onde se desenvolveu a Boa Vista, foi a primeira região do município a iniciar certo desenvolvimento urbano, visto que, conforme as citações, já havia um Cruzeiro no lugar, anterior ao ano de 1817, enquanto que no Taipu do Meio, o núcleo urbano se desenvolveu a partir de 1839, com passagem do Bispo Dom João da Purificação em visita ao lugar, e os posteriores movimentos em prol da construção da Capela à Nossa Senhora do Livramento, já Poço Branco velho, no Taipu Grande, teve desenvolvimento posterior à sede do município.

Prioridade agora são os cuidados com a preservação do Cruzeiro. Já estão sendo tomadas algumas providências, tratamento anti cupim, limpeza da peça e hidratação da madeira, por exemplos. Depois, leva-lo para um destino definitivo, aberto ao público.

Buscas por revelações a partir do Cruzeiro devem prosseguir: Qual o significado do alicate, do martelo e a revelação da Virgem de La Salette? Há relação da estrela, esculpida na peça, com o Judaísmo? Qual a idade do Cruzeiro? Essa peça é o Cruzeiro original? O Cemitério da Boa Vista foi o primeiro de Taipu?

Quem sabe encontraremos algumas respostas!

 

Nota:

Na citação de Cascudo, há um equívoco com relação à soma das distâncias - Da Cruz do Taipu de Fora ao engenho da Utinga são cinco léguas e desta à vila de São José, nove, total de treze léguas – Deveria totalizar quatorze, no entanto, por fidelidade à fonte, foi transcrita como lá está.

sábado, 27 de março de 2021

Des. Aprígio Augusto Ferreira Chaves - Primeiro Registro de Óbito do Cartorio de Taipu


 

No primeiro registro civil de óbito do Cartório da Vila de Taipu consta o falecimento do Desembargador Aprígio Augusto Ferreira Chaves, falecido aos 19/07/1906, e sepultado na dita Vila, conforme transcrição do registro do óbito:

Numero um – Aos vinte dias do mes de julho, de mil novecentos e seis nesta Villa de Taipù, em meu Cartorio veio Renato Chaves e declarou que o Desembargador Aprigio Augusto Ferreira Chaves, casado, com quarenta e seis anos de idade, filho legítimo do Bacharel Joaquim Ferreira Chaves e D. Clara Ferreira Chaves, havia fallecido hontem, as três horas da tarde, nesta Villa, de molestia denominada Deremattite Aguda de Forma elephanciaca e foi amortalhado de preto e tem ser sepultado no cemiterio desta Villa. O fallecido não deixou disposição testamentaria. E, para constar, faço este termo que assigna o declarante e as testemunhas Cidadãos José Vilella Cid e Manoel Cassiano da Costa. Eu, José Martins Fernandes Official interino do Registro Civil o escrevi.  (Cartório de Registro Civil de Taipu / RN, Livro de Registro de Óbitos Nº 1, pág 1, assento nº 1)

O Desembargador Aprígio Augusto, era filho do Bacharel Joaquim Cavalcante Ferreira Chaves e Maria Clara (ou Clara Maria) Ferreira Chaves, portanto, irmão do, também Desembargador, Joaquim Cavalcante Ferreira Chaves Filho, conhecido simplesmente por Joaquim Ferreira Chaves, que foi o 14º e 20º Governador do Rio Grande do Norte, além de Senador da República, pelo mesmo Estado, em várias legislaturas.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Valdomiro Alves da Rocha

Valdomiro Alves da Rocha, filho de Antônio Alves da Rocha e Isabel Alves de Oliveira; nasceu em Taipu aos 07/02/1933; teve como padrinho de batismo o ex presidente de República João Café Filho, que era correligionário político e amigo de Antônio Alves Rocha; casou-se religiosamente na Igeja Matriz de Taipu, aos 08/01/1954, com Josefa Teodoro Cadó, filha de Francisco Cadó e Júlia Teodoro Cadó.
Seu Valdomiro, ex vereador de Taipu, foi um dos idealizadores da construção da Sacristia da Igreja matriz de Nossa Senhora do Livramento.

Fonte da imagem: desenho a grafite do autor.

segunda-feira, 22 de março de 2021

O Cemitério da Boa Vista

Imagens: túmulo soterrado, os braços da cruz, o muro frontal e a base da cruz - fonte: o autor.
 

Havia encontrado, nos livros da Paróquia de Ceará Mirim, quatro assentos de óbitos com sepultamentos na Santa Cruz de Taipu. Todos esses registros são datados da década de 1860. Abaixo a transcrição de um desses assentos:

No primeiro de Abril de mil oito centos e sessenta e dois falleceu Maria Delfina do Nascimento, mulher que foi de José Thomaz Pereira da Silva, com idade de trinta e quatro anos, recebeo o Sacramento da Penitencia, envolta em habito, sepultada na Santa Cruz do Taipú, e encomendada pelo Padre Alexandre Ferreira Nobre, Capellão do Taipú. - (Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Ceará Mirim / RN, Livro de assento de Óbitos, 1852 a 1870, pág. 82v – grifo nosso).

A princípio, imaginei que essa Santa Cruz fosse a da Estrada do Maracajá, onde se sepultava os anjinhos, termo atribuídos às criancinhas que morriam antes de serem batizadas. Mas, as evidencias apontam no sentido de que a Santa Cruz do Maracajá, é de tempo posterior à década dos registros dos referidos assentos de óbitos

Hoje, 22/03/2021, visitamos o que foi o Cemitério da Boa Vista: o muro frontal em ruínas, túmulos soterrados e, depois de remover a garrancheira que se elevava do chão, eis que surgiu sobre uma base de tijolos e argamassa, o pé da Cruz, majestoso, entalhado, resistindo ação do tempo. Os braços, igualmente majestosos, já haviam caídos da Cruz.

Parece que temos ali as ruínas do primeiro cemitério de Taipu, ou melhor, da Santa Cruz do Taipu, lugar onde os pioneiros da nossa Vila, enterraram seus entes queridos.

O que ainda resta do que foi o Cemitério, pode ter muito a revelar do nossa história. Há detalhes bem interessantes, como por exemplo, um martelo entalhado em um dos braços da cruz, no outro braço, uma outra ferramenta. Certamente há significados nesses detalhes.

quinta-feira, 18 de março de 2021

Dona Lêda Marinho Varela, ex primeira dama de Taipu

Esta é Lêda Marinho Varela, ex primeira dama de Taipu, esposa de Wellington Luiz Varela da Costa (in-memoriam). Dona Lêda, que é escritora e poetisa, é Membro da Academia Feminina de Letras do Rio Grande do Norte e da Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil.

A fotografia foi na sua residência, em Taipu.

Fonte: acervo de Dona Lêda Marinho Varela
 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Intendentes e Prefeitos de Taipu

Arquivo PDF 

 


Geraldo Lins de Oliveira, um dos Prefeitos mais popular da história de Taipu, em desfile de 7 de setembro, na década de 70.

Imagem: Reprodução de Crônicas Taipuenses

quarta-feira, 10 de março de 2021

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento

 
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento, em seu projeto original, contemplava duas sacadas frontais, laterais à torre, conforme ilustrada no desenho.

Fonte: desenho a grafite, pelo autor.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Às mulheres, nossa reverência todos os dias, e em especial hoje!

 

MULHER
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É a obra prima do criador
Em momento esplendor
Com arquitetura da flor
Fez o símbolo do amor
-
Deu-lhe da estrela o brilhar
A candura e ternura da lua
A claridade do sol ao raiar
Beleza, não a deixou nua
-
Os relevos, curvas e traços
Concordâncias rarefeitas
A natureza a abrir espaços
Numa conspiração perfeita
 -
Do seu ventre os rebentos
Da cumplicidade do amor
Vindo à luz no certo tempo
Como no desabrochar da flor
 -
Musa, os pinceis a replica
Sua áurea ilumina o poeta
E aos que o colo suplica
Não a tê-la, é vida deserta
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Por entre os traços da beleza
Eleva-se enorme fortaleza
Edificada sob a luz do coração
Sem perder equilíbrio e razão
 -
De menina à moça faceira
De amante à companheira
Feminilidade inconfidente
O homem: seu dependente
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Arnaldo Eugenio

FAMÍLIAS TAIPUENSES DESCENDENTES DE URUAÇU

  Estêvão Machado de Miranda, casado com Bárbara Vilela Cid, filha de Antônio Vilela Cid e Ignês Duarte, eram os pais de três filhas, duas...