segunda-feira, 22 de abril de 2024

O tanque do Poço do Antônio

 

                                             Tanque do Poço do Antônio, crédito Emerson Oliveira

                                            Pedra de concreto removida do tanque, crédito, o autor.

O tanque do poço do Antônio é um reservatório natural de água, literalmente um tanque em pedras, forjados pela natureza. Localizam-se no Poço do Antônio, ao sudoeste da sede do município de Taipu, entre a estrada do Poço do Antônio e a comunidade do Umari. Pertence atualmente a Wilton Teixeira Guedes, ou Wilton de Cruz como é popularmente conhecido.

Conversei recentemente com Luiz Batista de Oliveira, o Luiz de Eulálio, proprietário do tanque, anterior a Wilton. De Luiz ouvi que seu pai, Eulálio Batista de Oliveira, certa vez, mandou limpar o tanque e que, para tal, tiveram que quebrar uma espécie de concreto composto, aparentemente, de cimento, cal, arreia, pedras e fósseis que aterrava parcialmente o reservatório.  Fiquei supresso com a história, e mais surpreso ainda com um bloco da argamassa retirada do tanque, aonde, visivelmente se identifica os fósseis.

Sobre Eulálio Batista de Oliveira, vi que nasceu no Umari, nas terras que hoje pertence ao filho Luiz, aos 12 de fevereiro de 1913, filho legítimo de João Batista de Oliveira e de Dona Francisca Maria da Conceição e, portanto, supõe que o tanque foi propriedade da família Batista de Oliveira desde algumas gerações passadas.

Luiz de Eulálio quando me mostrou o bloco de concreto, como quem ler pensamento por telepatia, foi logo respondendo: - sei que você vai me pedir essa pedra, mas não vou lhe dá, foi a única que sobrou. Em continuação à conversa disse-me que vários pesquisadores passaram por lá com o intuito de descobrir os mistérios do tanque, entretanto, a história que ouvia dos mais antigos, é de que o tanque havia sido concretado pelos holandeses.

Para a história contada por Luiz, que tem como referência a tradição oral, não há, pelo menos de conhecimento público, nenhuma evidência documental.

Os registros mais remotos que encontrei com evidencias de habitantes na região, foram os assentos de batismo de Adriana e de Antônio. Adriana foi batizada na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiahi, aos 29 de junho de 1773, filha de Pedro Coutinho e de [?] Maria, e consta no assento ser o pai da párvula natural do Curado do Taipu. Já Antônio foi batizado na dita capela de Jundiahi, aos 25 de junho de 1774, filho de Jozé Fonceca de Lira e Thereza Maria de Jesus, neto paterno de Francisco Lopes e de Bernarda Bezerra, constando no assento ser a pai e os avós paternos naturais de Taipu.

Ora, se Antônio nasceu no ano de 1774, conforme consta no assento, e o pai e os avós paternos são naturais de Taipu, então pode-se afirmar que os avós de Antônio nasceram em Taipu na primeira metade do século XVIII.

Se pudéssemos confirma-se a história de Luiz de Eulálio, teríamos a evidência de que haviam habitantes em Taipu, pelo menos, desde 1654, data da expulsão definitiva dos holandeses do nordeste brasileiro.

Arnaldo Eugenio de Andrade, abril/2024

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Possagem do Bispo de Olinda por Taipu

 

Da passagem do Bispo Dom João da Purificação Marques Perdigão Purificação por Taipu, de 8 a 10 de novembro de 1839.

 

Dia 7. Sai de Boa Água pelas 5 horas da manhã, passando a calma na Ladeira Grande, em casa de um homem mui probo e religioso, a rogo do qual resolvi ali pernoitar para crismar quase 100 pessoas, assistindo à prática maior número.

Dia 8. Sai da Ladeira Grande pelas 5 horas da manhã, e cheguei a Taipú do Meio, onde fui hospedado e rogado para ali permanecer até domingo, certificado de que neste lugar deve concorrer considerável número de povo para receber o sacramento da confirmação, e satisfeito de encontrar nas pessoas, que me receberam, muita probidade e religião. De noite crismei quase 100 pessoas, assistindo à prática maior número de concorrentes. Tendo crismado de noite, porque era mister anuir aos rogos de muitas pessoas, que por pobreza não podiam comparecer de dia, constando-me que muitas pessoas do sexo feminino de maior e menor idade recebiam este sacramento, comportando vestidos emprestados, tendo eu igualmente em visita a distância de 10 a 12 léguas, donde concorriam muitos crismandos. Tendo sido um pouco extenso nas minhas práticas, fazendo ver aos povos, como não gozarei mais a ventura de lhes falar em nome e por amor de Jesus Cristo, em cumprimento do meu primeiro dever.

Dia 9. Despachei 2 requerimentos do padre Gama, recebidos no mesmo dia, e atendendo à longitude de muitas pessoas, que estavam chegando, e como era mister que todos os crismandos recebessem a imposição de mãos, fui obrigado a principiar a ação do santo crisma pelas 8 horas da noite, administrando este sacramento a mais de 1.000 pessoas, terminando depois da meio noite, antes  da qual supliquei a comida de uns ovos fritos, por não poder fazer a prática sem alguma refeição em consequência de ter jantado com muita parcimônia. Esta prática finalizou pela uma hora, assistindo muito maior número que os crismandos. Nesta noite veio ter comigo o reverendo Fidelis para me cumprimentar, tendo idade de 70 anos.

Dia 10. Celebrei pelas 8 horas, assistindo considerável número de povo, e depois crismei quase 30 pessoas. Dizendo missa o padre José, algum tempo depois, também concorreram muitas pessoas, no fim da qual casou uns noivos com licença minha, e dispensados os banhos mui atendíveis motivos. Finalmente tornei a crismar 30 ou 40 pessoas, que moravam em grande distância. De noite principiei a crismar particularmente pelas 8 horas algumas pessoas, que vieram de longe, persuadindo-me que não compareciam outras pessoas. Como porem até às 9 chegassem por vezes várias famílias, crismei mais de 200 pessoas, impondo-lhes 4 vezes as mãos.

Dia 11. Sai de Taipú pelas 6 horas da manhã acompanhado de alguns cavaleiros, e descansei no sítio Capela, em casa de Teixeira, homem cego, de muita probidade e religião, que me foi convidar na distância de 3 léguas, para administrar o sacramento da confirmação aos que concorressem para este fim.

Fonte: Francisco Fernandes Marinho – O Rio Grande do Norte sob o olhar dos Bispos de Olinda.

FAMÍLIAS TAIPUENSES DESCENDENTES DE URUAÇU

  Estêvão Machado de Miranda, casado com Bárbara Vilela Cid, filha de Antônio Vilela Cid e Ignês Duarte, eram os pais de três filhas, duas...