sábado, 28 de agosto de 2021

Maria Ilda Fernandes - Muitas mãos

 À direita, Ilda, em um de seus aniversários, à esquerda, na casa onde nasceu, em Riacho Fechado; Ilda está na calçada e seus pais, Seu Geraldo e Dona Antônia, aparecem no alpendre da casa - Fonte: acervo de Ilda Fernandes


MARIA ILDA FERNANDES, nasceu no lugar Riacho Fechado aos 26/08/1951, filha de Geraldo Fernandes de Macedo e Antônia Felix Fernandes, ele conhecido por Seu Geraldo leiteiro, ela, por Dona Antônia do Cartório.

Riacho Fechado, que era propriedade de Bento Fernandes de Macedo, pertenceu a Taipu até o ano de 1958, quando passou a pertencer à cidade de Barreto, emancipada politicamente naquele ano; já no ano de 1967 a cidade de Barreto passou a chama-se Bento Fernandes, justamente em homenagem a Bento Fernandes de Macedo, que era bisavô, de Ilda Fernandes, pela parte paterna.

Ilda Fernandes costuma falar da sua felicidade pela dupla naturalidade: diz que é bento-fernandense de nascença e taipuense por adoção.

Ilda Fernandes é dessas pessoas que veio ao mundo para torna-lo melhor; seu projeto de vida confunde-se com suas lutas por um mundo fraterno, justo e humano; é uma inconformista com a desigualdade social.

Nesse ano, aos 26 de agosto, em seu natalício, nos presenteou com mais uma de suas belíssimas poesias, aliás, não sei se poesia, reflexão, oração...  Uma homenagem a todas e a todos que estiveram e estão juntos na sua caminhada pelos “jardins” da vida durante suas 70 primaveras, compartilhando a beleza e o aroma das flores e amenizado as dores nas pontadas dos espinhos.

“Muitas mãos” também parece com a capacidade de Ildinha parecer torna-se tantas, pelo quanto que fez e faz nos jardins de tantos.

 

MUITAS MÃOS (Ilda Fernandes – 26/08/2021)

 

Muitas mãos teceram comigo esse tecido

Que se chama vida criada por Deus

Completando hoje 70 pedacinhos

Contornados por risos e lágrimas nos dias meus

 

Mãos que ajudaram nascer

Mãos que ajudaram comer

Mãos que ensinaram a falar e andar

Mãos que ensinaram ler e escrever

 

Mãos que acolheram nas dúvidas

Mãos que aplaudiram nos feitos

Mãos que afagaram no colo

Mãos que desculparam os defeitos

 

Mãos que motivaram tocar

Mãos que incentivaram cantar

Mãos que ensinaram rezar

Mãos que possibilitaram lutar

 

Prece de gratidão a todas essas mãos

É o que ora me anima fazer

Junto àquelas que me abençoaram

Colorindo em tom mais suave o meu viver

 

Arnaldo Eugenio de Andrade – 28/08/2021

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Os primos, ainda bem jovens, Antônio Moraes e Magnus Kelly



 

Fonte: acervo de Washington Moraes

Os jovens taipuenses Antônio Moraes da Rocha e Magnus Kelly de Miranda Rocha; Toinho de Celso, como assim é conhecido, é filho de Celso Alves da Rocha e Elza Moras da Rocha; Magnus Kelly, que foi Deputado Estadual, é filho de Marino Alves da Rocha e Maria Ignês de Miranda; Celso e Marino, irmãos, eram filhos de Adão Marcelo da Rocha e Luiza Querubina do Nascimento.

sábado, 21 de agosto de 2021

Moises Andrade e a Intentona Comunista de 1935

 Fonte: Jornal "A Ordem", edição de 24/02/1948.


MOISES ANDRADE era filho de filho de Joaquim Pequeno de Moraes e Francisca Eugenio de Andrade, neto, pela parte materna, do Coronel Manoel Eugenio Pereira de Andrade e Josefa Maria da Conceição; nasceu em Taipu aos 01/10/1906 e foi registrado com o nome de Moyses Pequeno de Moraes. No entanto, no registro de casamento está ratificado o nome para Moises Eugênio de Andrade; eram seus irmãos: Maria Eugenia, Alfredo, Maria Anita, Maria Florinda, Alahide, Carmelita, Manoel e Horlando; Moises Andrade consta na lista da professora Helena Botelho, primeira professora, da turma masculina, do Grupo Escolar Joaquim Nabuco.

Moises Andrade casou-se em Taipu, no civil aos 12/03/1932, no religioso, aos 17/04/1937, com sua prima Carmélia Paiva de Moraes, filha de Manoel Eugenio de Andrade e Maria Amélia de Paiva; do casamento nasceram: Cornélio, Maria da Paz e Tisian.

Moises Andrade foi um dos maiores ativistas sócio cultural de Taipu à sua época; era desportista, carnavalesco, poeta e compositor; segundo as anotações do diário da Professora Francisca Avelino, foi Maestro da Banda de Música Municipal e responsável pelo Taipu Futebol Clube, time que antecedeu o Estrela do Norte e o Bonsucesso; deixou uma grande contribuição para a cultura de Taipu, poderia ter deixando muito mais, não fosse a sua partida prematura.

Moises Andrade era investigador de polícia; o jornal “A Ordem, edição de 24/02/1948, sob o título “Roubou o comerciante”, divulgou a seguinte matéria:

Ontem à noite verificou-se um furto de dinheiro na localidade de Itapassaroca, município de Ceará-Mirim, no qual foi lesado o comerciante Luiz Teixeira, proprietário de um “barracão” naquela localidade.

Comunicado o ocorrido ao investigador Moises Eugenio de Andrade que passava por aquele povoado este deu inicio as suas investigações tendo encontrado o larápio entre os passageiros de um caminhão que procedia de Taipu.

O “amigo do alheio”, de nome Jose Lopes da Silva e que é natural de Mossoró, foi conduzido a esta capital, confessado ser o autor do furto que orça Cr$ 2.500,00.

 

Considerando a baixa probabilidade de que Moises estivesse, por acaso, possando na Itapassaroca logo após o furto, a dedução lógica é que, pelo prestígio no seu trabalho de investigação, era requisitado por outras praças.

Na Intentona Comunista, movimento organizado pelo Partido Comunista com intenção de tirar Getúlio Vargas do poder, Natal chegou a ficar no domínio dos revolucionários, que marcharam para o interior do Estado e, em Taipu, depuseram por um dia o prefeito Rosendo Leite; logo o movimento foi derrotado e o pessoal da Guarda Municipal de Natal, simpatizantes dos revolucionários, fugiram para o interior do Estado.

Luiz Raimundo Guedes era um dos membros da Guarda Municipal de Natal que, vendo o movimento derrotado, fugiu para Taipu, à noite, pela linha do trem. Luiz era recém casado com Maria Cecília de Andrade, a mais velha dos filhos sobreviventes de Antonino Eugenio de Andrade e Cecília Maria de Andrade; Antonino era vizinho, amigo e compadre de Adão Marcelo da Rocha que, de pronto, não deixou desprotegido o genro de Antônio, “guardou-o” em uma de suas propriedades.

Moises Andrade, o investigador, passou a procurar, na tentativa de levar à prisão, tais foragidos, sendo Luiz Raimundo Guedes sua caça preferida; dentre as técnicas de investigação de Moises havia a visita, aparentemente despretensiosa, que fazia durante o dia às casas que supunha ser esconderijo; tinham as visitas dois objetivos básicos: identificar a quantidade de moradores da referida casa e fazer “amizade” com os cachorros da família, para que, à noite, os vigilantes não estranhassem sua presença; voltava Moises no escuro da noite quando o único barulho eram os irritantes cantos dos grilos e, de ouvido colado às portas e janelas, rondava a casa na tentativa de descobrir se ali ressonava mais almas do que as moradoras habituais da residência.

As caçadas de Moises viraram obsessão, eram implacáveis; Adão Marcelo trocava o seu “visitante” de lugar para despistar o caçador, até que, o cerco se fechando, Luiz Raimundo foi levado para a cidade de Nova Cruz e de lá, junto com a esposa, foi levado para a cidade de Recife, em Pernambuco.

Não sei se Moises levou à cadeia algum dos seus procurados, mas o inusitado aconteceu: certo dia Maises, que havia tomado uns aperitivos a mais, saiu à rua gritando vivas ao Comunismo. Foi preso por subversão. Fora somente efeito do álcool, logo foi solto, sua prisão não lhe rendeu maiores consequências do que a ressaca moral.

Na Década de 1990 visitei Luiz Raimundo e Maria Cecilia, essa minha tia pela parte paterna, moravam no bairro do Alto José Bonifácio, em Recife. Ali desenvolveram-se seus descendentes e casal ficou até o fim de suas vidas, faleceram com idades já bem avançadas. Luiz Raimundo, a quem o chamava de tio, era seguidor de Miguel Arraes e adorava contar suas experiências políticas.

Moises Andrade, Infelizmente, teve sua vida ceifada prematuramente, aos 49 anos de idade, no trágico acidente, entre as cidades de Mossoró e Assú, com o tombamento do caminhão de romeiros de Taipu que retornava da cidade de Canindé, no Ceará, aos 14/12/1955.

Arnaldo Eugenio de Andrade - 21/08/2021

FAMÍLIAS TAIPUENSES DESCENDENTES DE URUAÇU

  Estêvão Machado de Miranda, casado com Bárbara Vilela Cid, filha de Antônio Vilela Cid e Ignês Duarte, eram os pais de três filhas, duas...