sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Antônio Saldanha da Silva

 Fonte: o autor, desenho a grafite

 

SINHÔ SALDANHA nasceu no Sítio Bom Nome, na cidade de Catolé do Rocha, Estado da Paraíba, aos 18/02/1918, foi registrado com o nome de Antônio Saldanha da Silva, filho de Gervásio Saldanha da Silva e de Ana Alves Saldanha; seus irmãos eram Adevaldo, Isaura, Jonas e José, nascidos na Paraíba, e Egídia e Iornilda, nascidos em Taipu.

Gervásio fora acusado de acobertar o “roubo” da filha de Quinca Saldanha, que era cangaceiro e parente seu, e por tal, jurado de morte; fora aconselhado por amigos para mudar-se de lugar; resistiu, mas com tantas insistências, seguiu o conselho e, com os baús ao lombo de jumentos, transferiu-se com a família para Taipu.

Gervásio estabeleceu-se com a família em Taipu no ano de 1925; vida nova, nome novo, adotou Cícero Saldanha, as letras “C e S”, em relevo, na fachada da casa que pertence hoje ao neto Joca Saldanha; montou uma pequena fábrica de selas que abastecia toda a região, conforme escreveu a Professora Francisca Avelino em seu diário pessoal.

Já em Taipu, a família viveu um drama familiar, José Saldanha, irmão e parceiro de Sinhô nas serestas, namorou um jovem bem mais moça que ele; a família dela não aceitou o romance; desiludido, acordou sedo, foi à fábrica de selas do pai e ingeriu um germicida usado no tratamento dos couros, voltou para casa, deitou a cabeça colo da mãe e avisou do acontecido; a família, em desespero, buscou socorros, era tarde, José Saldanha partiu.

Sinhô Saldanha casou-se em Taipu, aos 08/11/1948, com Alzira Ribeiro Saldanha, que também era natural de Catolé do Rocha, no Estado da Paraíba, nascida aos 19/08/1918, filha de Almino Alves Ribeiro e Joaquina Araújo Ribeiro, ainda sua parenta; foram os pais de cinco filhos: Alzenira, Antônio Filho (Bibi), Américo José, Alzira, e Adalberto; Américo José faleceu bebê, em consequência do susto provocado pela queda de uma taboca de foguete sobre ele e sua mãe; viúvo de Alzira Sinhô casou-se em segundas núpcias com Maria Cícera Saldanha e foram os pais de: Ana Cláudia, Alexandre César, Américo, Elane e Angélica Vitúria.

Sinhô Saldanha e Dona Alzira eram muito espirituosos, acolheram na sua casa, por muito tempo, Tinho e Neguinho do Circo; há outros exemplos de solidariedade do casal: na cheia de 1964, quando a ponte rodoviária sobre o Rio Ceará Mirim caiu, e as pessoas, retornando de Natal, ficaram impossibilitadas de prosseguir viagem, Dona Alzira desacomodou os filhos para acomodar mulheres que não conseguiriam chegar às suas casas naquele dia.

Sinhô, por profissão, seguiu o pai, trabalhava de sapateiro, depois tornou-se Servidor Público, fora nomeado Escrivão de Polícia, porém nunca largou a música, uma de suas paixões da vida, habilidade que descobriu ainda muito jovem; aos dose anos de idade, tocando clarinete, ingressou na Banda de Música de Taipu, regida pelo Maestro Luiz Alves Pereira; na Banda de Música teve como colega Sebastião Barros, que viria a torna-se músico de projeção internacional, com o nome artístico de K-Ximbinho.

O dom musical de Sinhô é herança materna, sua mãe tocava concertina; tais dotes não foram herdados apenas pelos filhos Bibi e Alzira, o primeiro poeta e compositor, essa dona de uma voz encantadora, os sobrinhos Zeninha e Mequinho Saldanha também seguiram seus passos: Zeninha desde muito nova deslanchavam no acordeom e no violão, Mequinho encantou a sua geração com voz e violão; o dote musical da família Saldanha já chegou nos sobrinhos netos de Sinhô, os filhos de Mequinho, Dandão e Alan, continuam, orgulhosamente, mantendo a tradição musical familiar.

Sinhô também era astucioso: certo dia, na sua banca de trabalho, não conseguia se concentrar frente a algazarra, típica de adolescentes, dos amigos de Bibi que tinham como ponto de encontro a casa de Sinhô; de repente, como quem não tem outra intenção, perguntou se os jovens não estavam sabendo do Circo que estava para chegar na cidade; curiosos, em voz uníssima, responderam que não; então Sinhô contou-lhes que o Circo chegaria depois, mais os animais estavam chegando pelo trem, que devia chegar na cidade a pouco; correram todos para a estação, o trem passou sem trazer os animais, mas, pelo menos naquele dia, os jovens se entreteriam em outra “praça”.

Do Mestre Sinhô Saldanha guardo com muito carinho uns versos que ele me dedicou, datado de 28/07/1985:

“Você

Predestinado por Deus para ser bom

Ser leal, ser amigo verdadeiro

É dom de Deus esses tão belos predicados

Caminhos a passos firmes em seu roteiro

 

Invejável é seu belo proceder

Nesse mundo de tantas incertezas

Em que o avanço louco predomina

Clamando aos céus a própria natureza

 

Mas resoluto com o pensamento pleno

Pronto estar a servir o irmão carente

Que em horas de alegria ou de pranto

Para ajuda-los estar sempre presente

 

Louvo o teu exemplo tão sublime

E espero dialogar sempre contigo

Para assim poder cada vez mais

Acreditar que és verdadeiro amigo”

Sinhô Saldanha fechou os olhos para a vida aos 21/08/1992, foi se juntar aos seus, foi se juntar aos nossos; deixou um grande legado, uma grande contribuição para nossa cultura; havia recebido o título de cidadão taipuense aos 30/11/1992 e, em uma justa homenagem, e para orgulho taipuense, a Banda de Música Municipal recebeu o nome de “Compositor Antônio Saldanha”.

 Arnaldo Eugenio, 13/08/2021

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Centro Esportivo e Cultural Itaipi

Times de voleibol que preconizaram o Itaipi - Fonte: acervo do autor

 

Aos 08 de junho de1985 era fundado o Centro Esportivo e Cultural Itaipi, com 17 sócios fundadores conforme consta na Ata de Criação. Foram eles: Antônio Saldanha Filho, Arnaldo Eugenio de Andrade, Emanoel Marcos Duarte Cavalcante, Francisco Batista Neto, Francisco Canindé Teodósio Pedrosa, Geraldo Fernandes de Macedo Neto, Henrique Gilliano Rocha Concentino, Jailson Batista da Silva, Jonas Barbosa da Silva, José Pedro Neto, José Viana Júnior, Marcelo Cruz, Noberto Fernandes da Silva, Noberto Fernandes da Silva Júnior, Rui Batista da Silva, Wagner Nogueira de Miranda e Wlademir Teixeira Guedes.

A primeira diretoria era assim formada: Presidente Arnaldo Eugenio de Andrade; Vice Presidente Noberto Fernandes da Silva; Secretário José Viana Júnior e Tesoureiro Antônio Saldanha Filho.

No período natalino do no mesmo ano, aos sócios foi oferecido um jantar de confraternização. O jantar foi servido na Escola Estadual Joaquim Nabuco e foi preparado sob a coordenação das queridíssimas Alzira e Betinha Saldanha, que além das mãos na massa, prepararam tudo com muito amor.

Na fotografia, os times de voleibol que preconizaram o Itaipi, primeiro surgiu o time infantil, e logo na sequência, o time adulto.

São eles na fotografia: em pé, esquerda para a direita – Almero, Nanês, ?, Wlademir, Neto Fernandes, Mano Fernandes, Júnior Viana, Rui batista, Canindé Pedrosa, Beto Saldanha e Arnaldo. Agachados - Ninho, Henrique, Jailson, Genilton, Júnior Noberto, Waguinho e Marquinhos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Taipu, Matriz da Paróquia de Ceará Mirim

 Livro de Assentos de Batismos da Paróquia de Ceará Mirim, nº 35, assento 682, pág. 237v

 

Taipu foi Matriz da Paróquia de Ceará Mirim, de julho de 1896 a agosto de 1897. O fato se deu motivado pelo desentendimento entre o Clero e políticos do Verde Vale da terra de Nossa Senhora da Conceição.

Falou-me o Professor João Batista dos Santos, que foi seminarista e é estudioso do assunto, que no Livro Tombo da Paroquia de Ceará Mirim, bem como na Arquidiocese da Paraíba, a quem a freguesia era ligada eclesiasticamente àquela época, há o registro da transferência da Sede da Matriz de Ceará Mirim para Taipu. O professor José Humberto da Silva, em Seu livro “Centenário da Fundação da Paróquia de Taipu – Ação e Fé”, também abordou o assunto. Escreveu Silva:

“Portanto, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henrique, oriundo do Engenho Bolandeira, na Cidade de Areia /PB, descendente de Francisco Xavier de Miranda que governou o Rio Grande do Norte, durante 11 anos e meio (1739-1751), Bispo que comandava a Diocese sufragânea de Natal uma das Glórias da Igreja do Nordeste, determinou que a sede da freguesia, que era em Ceará-Mirim, fosse transferida para Taipu, e isto aconteceu, em 16 de julho de 1896. Portanto, Taipu foi freguesia muito depois de ser Vila e no dia 16 de Agosto de 1897, retornou a freguesia para a cidade de Ceará-Mirim.” (Silva, 2013, pág. 24)

Da pesquisa que realizei nos Livros de Batizados da Paróquia de Ceará mirim, livro nº 35, de 15 de setembro de 1894 a 8 de setembro de 1896 e no livro nº 36, de 8 de setembro de 1896 a 3 de setembro de 1898, apresento a seguir uma sequência de transcrições de assentos de batismos que testemunha tal feito. Vejamos:

1 - O assento de batismo de nº 667, no livro 35, realizado em Ceará Mirim, aos 09 de julho de 1896, refere-se ao local da cerimônia como “nesta Matriz de Ceará Mirim”:

“A nove de julho de 1896 nesta Matriz de Ceará Mirim de licença minha o Vigario Estevam Jose Dantas baptizou solemnemente a Cleto, nascido a vinte seis de Abril ultimo filho legitimo de Antonio Marinho de Carvalho e Francisca Carolina Pacheco de Carvalho foram padrinhos Vigario Jose Paulino Dantas da Silva e Maria Ernestina Pereira Wanderley Do que se fez este assento. P Joao Maria de Brito Encarregado da Freguesia”

 

2 - Já no assento de batismo de nº 680, do livro 35, realizado em Taipu, aos 21 de julho de 1896, refere-se ao lugar da solenidade como “na Matriz de Taipu”:

“A vinte e um de julho de mil oitocentos e noventa e seis na Matriz de Taipu pus os Santos Oleos em Manoel nascido aos nove de julho ultimo; exposto na casa de Manoel [...] da Costa e baptizado por Luiz do rego Leite Gameleira. Doque se fez este assento do que me assigno. Vigario Jose Paulino Duarte da Silva”

 

3 - No assento de batismo de nº 685, do livro 35, realizado em Ceará Mirim, aos 21 de julho de 1896, a referência ao local da solenidade é “na Egreja de Ceara Mirim”:

"A vinte um de julho de mil oitocentos e noventa e seis na Egreja de Ceará Mirim baptizei solemnemente a João nascido a doze de Março ultimo filho legitimo de Manoel Francisco Xavier e Guilhermina Francisca Xavier, moradores na [...]. Foram padrinhos Ignacio [...] Mendes Teixeira e Maria Lucia Mendes Teixeira. Do que se fez este assento que assigno. O Vigario Jose Paulino Dantas da Silva"

 

4 - O assento de batismo de nº 795, livro 36, realizado em Ceará Mirim, aos 17 de agosto de 1897, faz referência à Capela de Ceará Mirim´, com a seguinte expressão: “na Capella da Cidade de Ceará Mirim”.

"A dezesete de Agosto de mil oitocentos de noventa e sete na Capella da Cidade de Ceará Mirim, baptizei selemnemente a Maria nascida dezesseis de Julho ultimo filha natural de Candida Alexandrina Barbosa residente na “Itapassaroca” sendo padrinhos Benedicto Feliz Pereira e Generosa Xavier de Sant’Ana. Do que se fez este termo e assigno. O Vigario Jose Paulino Dantas da Silva"

 

5 - Já assento de batismo de nº 802, no livro 36, realizado em Taipu, aos 15 de agosto de 1897, é o último assento que se refere à Taipu como Matriz, utilizando-se da seguinte expressão: “na Matriz de Taipu”.

“A quinze de Agosto de mil oitocentos e noventa e oito na Capella do Taipú baptizei solemnentemente a Isabel, nascida a trinta de maio de ultimo, filha legitima de Pio Pedro Gomes e Francisca Maria da Conceição, sendo padrinhos Manoel José do Nascimento e Aguida Maria da Conceição. Do que fiz este termo em que me assigno – Vigario José Paulino Duarte da Silva”

 

7 - No assento de batismo sequencial, o de nº 803, do livro 36, realizado em Taipu aos 22 de agosto de 1897, refere-se ao local da cerimônia como “na Capella do Taipu”, assim, a Matriz havia retornado à Ceará Mirim:

“A vinte dois de Agosto de mil oitocentos e noventa e oito na Capella do Taipú baptizei solemnentemente a Josefa nascida a dois de junho ultimo, filha legitima de Emigydio Jose de Sant’Ana e Angelica Maria da Silva, sendo padrinhos Francisco Nogueira da Silva e Josefa Umbelina do Amor Divino. Do que fiz este termo em que me assigno – Vigario José Paulino Duarte da Silva”

 

8 Por fim, no assento de batismo de nº 853, no livro 36, realizado em Ceará Mirim aos 17 de setembro de 1897, constata-se o retorno da Matriz da Frequesia para Ceará Mirim, com a seguinte descrição do local da solenidade: “na Matriz de Ceará Mirim”.

“A dezesete de setembro de mil oitocentos e noventa e sete na Matriz de Ceará Mirim, baptizei solemnemente a Roza, nascida a três d’este e filha de legitima de Miguel Jose de Maria e Francisca Alves de Souza moradores na cidade de [...], sendo padrinhos Francisco Bezerra Campos e Maria Roza da Conceição. Do que se fez este termo e assignei. O Vigario José Paulino Duarte da Silva”

 

Nos primeiros assentos de batismos, após a transferência da sede da Matriz da Paróquia para Taipu, percebe-se que na referência ao local “Egreja de Ceará Mirim”, os nomes “Egreja” estão rasurados, indícios de que houve correção posteriores aos assentos. Na sequência alguns assentos se mantiveram como “Matriz de Ceara Mirim”, mas logo passou-se a registar “Capela de Ceará Mirim, até que a Sede da paróquia retornou à origem, voltando os registros também aos termos originais “Matriz de Ceará Mirim” e “Capela de Taipu”, situação que perdurou até 18 de abril de1913 quando a Capela de Taipu passou a Igreja de Nossa Senhora do Livramento, sede da paróquia do mesmo nome.

Importante também anotar que as datas dos assentos aqui transcritos, não são exatamente os dias em que houveram as transferências de sede, mas, os primeiros batizados realizados após tais transferências, isso porque, em muitos casos, entre as datas de transferências de sede e os registros aqui transcritos, houveram muitos batizados em outras comunidades da freguesia.

Um fato interessante que se constata pela primeira transcrição de batismo, aqui apresentada é que o padre João Maria (aquele que é nome de praça em Natal) foi encarregado da Freguesia de Ceará Mirim.

Fontes:

Livros de assentos de batismos nº 35 e 36, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CS27-V3ND-S?i. Acessado em 02/agosto/2021.

Silva, José Humberto da. Centenário de Fundação da Paróquia de Taipu – Ação e Fé. Natal 2013.

 

Arnaldo Eugenio de Andrade, agosto / 2021

Da passagem de João da Maia Gama, a serviço do Rei, por Taipu.

  DIÁRIO DA VIAGEM DE REGRESSO PARA O REINO, DE JOÃO DA MAIA GAMA, E DE INSPEÇÃO DAS BARROS DOS RIOS DO MARANHÃO E DAS CAPITANIAS DO NORTE...