sábado, 7 de janeiro de 2023

Taipu - Bastidor da campanha eleitoral de 1976

 Antônio Moraes da Rocha (Toinho de Celso) - Imagem: acervo de Whashington Alland.

 

Durante o período do Regime Militar havia apenas dois partidos políticos, a ARENA e o MDB, denominados, respectivamente, de Aliança Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro. O primeiro era ligado ao Sistema, o segundo, que era oposição, não existia formalmente na maioria dos municípios brasileiros, ao ponto de, naquela época, as disputas às prefeituras serem feitas dentro da própria ARENA, visto a legalidade da legenda apresentar mais de um candidato à disputa. É o caso da campanha de 1968, disputada por Geraldo Lins de Oliveira e José Luiz Cavalcante, com vitória do primeiro com 171 votos de maioria, e a eleição de 1972, disputada entre Amâncio Soares da Silva e Luiz Faustino do Nascimento, também com vitória do primeiro com 1.378 contra 751 votos.

Na primeira metade da década de 1970 o MDB começava a ter um crescimento vertiginoso em todo o Brasil, ao ponto de, no ano de 1974, vencer dezesseis das vinte e duas disputas ao Senado. No Rio Grande do Norte, no mesmo ano de 1974, destaca-se a surpreendente vitória ao Senado do feirante Agenor Maria, impondo histórica derrota ao notável jurista Djalma Marinho. Taipu também vivia uma euforia com aquele momento político, seu filho ilustre, Magnus Kelly havia se elegido Deputado Estadual no ano de 1966, com apenas 21 anos de idade, reelegendo-se no ano de 1970, com aumento expressivo da sua votação em relação à primeira campanha, e reeleito novamente no ano de 1974, consolidado-se como a grande liderança política da região Mato Grande.

Magnus Kelly entendia que, com o seu capital político, faria o prefeito de Taipu, assim, lançou a pré candidatura do seu primo Antônio Moraes, mais conhecido por Toinho de Celso. Toninho nuca havia se submetido às urnas, embora descendesse de família política, seu avô Adão Marcelo foi importe líder político de Taipu, seu tio avô Antônio Alves, outro importante líder político e amigo de Café Filho, de quem era compadre, seu Pai Celso Alves Rocha compôs com Antônio Soares da Racho a chapa que disputou a prefeitura na campanha de 1952, sem, no entanto, haver logrado êxito. Toinho seria posto à prova.

O nome de Toinho foi lançado, com muita euforia e grande aceitação, pontos estratégicos da cidade foram pintados com letras garrafais: TOINHO 76. Tudo parecia ir muito bem até que um desentendimento entre os primos Magnus e Toinho fez o segundo desistir da candidatura.

Tal divergência deu-se porque Toninho reivindicava mais apoio de Magnus, sobretudo, uma farmácia popular para Taipu, que serviria, obviamente, como instrumento de campanha; Magnus desdenhou do primo dizendo-lhe que elegeria qualquer um que o indicasse, fato que aborreceu Toinho, e o fez desistir da candidatura.

A eleição do ano de 1976 teve como concorrentes à prefeitura quatro candidatos: Geraldo Lins de Oliveira (ARENA), José Luiz Cavalcante (ARENA), Luiz Pinheiro de Carvalho (MDB) e Tereza Alves da Rocha (MDB).

Geraldo Luiz de Oliveira tornara-se um político muito popular, talvez o mais popular de toda história política de Taipu, entretanto, o vertiginoso crescimento de MDB tornaria aquela campanha um embate dificílimo. Com a desistência de Toninho, todo o cenário mudou, o que, favoreceu à vitória do “Mocó”, como era conhecido o candidato. Geraldo Lins.

O favorecimento a que me refiro baseia-se no fato de que, sendo Toinho candidato, não era provável que o Sr. José Luiz tivesse entrado na disputa, visto ser parente por afinidade de Toinho (era casado com sua tia Zuíla) e que não parecia ter uma obstinação pela prefeitura, visto que não disputou a eleição anterior, de 1972, contra Sr. Amâncio, assim, provavelmente, Toinho seria candidato único do PMDB.

As chapas concorrentes receberam as seguintes votações:

Prefeito Geraldo Lins de Oliveira, vice prefeito Luiz Faustino do Nascimento      972 votos

Prefeito José Luiz Cavalcante, vice prefeito Wellington Luiz Varela da Costa       861 votos

Prefeita Tereza Alves da Rocha, vice prefeito Francisco Dias da Silva                  371 votos

Prefeito Luiz Pinheiro de Carvalho, vice prefeito Francisco Dias da Silva            128 votos

Nota-se que Francisco Dias da Silva aparece como candidato a vice prefeito nas duas chapas no MDB, isso mesmo, a regra permitia.

Sr. Geraldo Lins sagrou-se vitorioso com 972 votos, enquanto a somatória de votos dos adversários foi de 1.360, 388 votos a mais do que a votação do prefeito eleito.

Fica com esta narrativa um detalhe de bastidor da campanha política de Taipu, do ano de 1976. 

 

Arnaldo Eugenio, janeiro / 1923.

 





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