segunda-feira, 30 de novembro de 2020

A cacimba, a buraca e a fonte


Do livro “Temas e Reflexões”, do poeta taipuense Luiz Viana:

"Costumeiramente uma alegria festiva rondava a “buraca” de manhã à noite, pela razão se ser a “fonte” que fornecia água à vida do lugar. Hoje, porém, não há nem “buraca”, nem água para lavar, ao menos, a roupa suja das confidências violadas. Outra coisa que animava a “natureza morta” do ambiente taipuense, era o vapor de descaroçar algodão de Teófilo Furtado, no tempo da safra. Parecia uma espécie de “coração” da vida taipuense, pulsando a inerte matéria numa agitação diária e periódica, na ânsia material de beneficiar o “sangue branco” da terra, assim como o coração humano beneficia a linfa!"

O Blog “Crônicas Taipuenses”, do Professor João Batista dos santos, em publicação de hoje, 30/11/2020, nos traz informações da inauguração do mercado público de Taipu, em 1903, e de outras inaugurações, dentre elas a FONTE PÚBLICA, (a seguir transcrição parcial da matéria publicada hoje em Crônicas Taipuense)

...Agora, resta-nos somente dizer-mos que, além do Mercado, foram também inaugurados, no dia três deste, a Fonte Pública e a iluminação desta Villa, melhoramentos estes devido á iniciativa e à tenacidade dos capitães Manuel Eugênio e Pedro Guedes, sabiamente orientados pelo desembargador Aprígio e pelo coronel Felismino Dantas. Uma nota que não convém esquecer, porque ela mostra a boa orientação do governo municipal do Taipu: a intendência municipal depois de ter feitos todos esses ficou com um saldo de 1:500$000, recolhido aos cofres, que vai ser aplicado noutros melhoramentos. Correspondente Taipú, 7 de Janeiro do 1903. (A REPÚBLICA, 20/01/1903, p.4)”.

Fiquei aqui, tentando descobrir onde seria essa tal “Fonte” inaugurada. O poço artesiano que existia onde existe hoje a Escola Professora Francisca Avelino está descartado. Conforme me informou o Professor João Batista, ele foi construído no ano de 1913, portando, 10 anos depois.

Então, estou propenso a acreditar que a “Fonte” inaugurada é a mesma que o poeta Luiz Viana se referiu como “a fonte que fornecia água à vida do lugar”, ou seja, era a cacimba da buraca, rebatizada tempos depois como a “Cacimba de Seu Milton”.

E ainda do livro “Temas e Reflexões”, mais um pouco da “Cacimba da buraca” ou “Fonte Pública”:

“Como em outros lugares, Taipu apresentava também seus contrastes. Por exemplo, chamava-se uma grande cacimba de “buraca”. Francamente, temos visto muitas outras cacimbas mas nunca vimos outra “buraca”! Situava-se entre o rio e os quintais, e tinha todas as aparências de “confidências violadas”.

2 comentários:

Da passagem de João da Maia Gama, a serviço do Rei, por Taipu.

  DIÁRIO DA VIAGEM DE REGRESSO PARA O REINO, DE JOÃO DA MAIA GAMA, E DE INSPEÇÃO DAS BARROS DOS RIOS DO MARANHÃO E DAS CAPITANIAS DO NORTE...