SOBRE TAIPU, DE ANTES DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DA VILA
Uma definição:
Taipu é uma terra
pequena, onde, dos devaneios de nossos avós, amores dos nossos pais e sonhos
enluarados da infância, fazem dela o relicário da nossa meninice, tão longe e
tão perto do coração. Dir-se-ia que naquele rincão descansava a felicidade no
meio da carência de tudo.
Fonte: Luiz Viana, taipuense, autor do livro “Temas e
Reflexões”
Primeiras referências:
Na carta geográfica de
Meregrav e nos mapas de Ving-boons não aparece topônimo que possa ser
identificado com Taipu.
A mais antiga referência
que conheço, possível o primeiro registro do topônimo, ocorre na relação das
aldeias que o padre Manoel de Moraes enumera como existentes na Capitania do
Rio Grande, entre 1640 e 1643.
Escreve o padre Manuel de
Moraes, findando a informação: - “ITAIPI, sete (milhas) ao oeste do Rio Grande”
... Esse Rio Grande é o rio Potengi.
Fonte: Luiz da Câmara Cascudo – Acta Diurna – Diário
de Natal 18/11/1949, segunda página
Taipu Grande, antiga comunidade do Poço
Branco Velho:
Em 21 de novembro de
1709, o capitão mor Governador da Capitania do Rio Grande, André Napoleão da
Costa, doa ao Tenente Manoel Rodrigues Coelho, terras devolutas na paragem
chamada Taipu Grande. Era a Sesmaria 212.
“...Senhor capitão-mor e
governador, diz o coronel Manuel Rodrigues Coelho, morador nesta cidade, que
ele suplicante não tem terras suficientes para criar suas criações de gado
vacum e cavalar e como se acham devolutas e desaproveitadas na paragem chamada
Taipu Grande, pede para Vossa Mercê lhe faça mercê conceder em nome de Sua
Majestade, que Deus guarde, de 3 léguas de terra de comprimento e 1 de largura,
fazendo pião no poço chamado Taipu Grande, com légua e meia para cima pelo dito
rio e outra . . . . . para baixo pelo mesmo rio e com meia légua para cada
parte do rio, sem exceder a taxa para ele e seus herdeiros, ascendentes e
descendentes, livre sem foro nem pensão alguma e em tudo receberá mercê...”
“...Dada e passada nesta
cidade do Natal, capitania do Rio Grande aos 22 dias do mês de novembro de
1709. E eu, José da Silva Vieira, escrivão da Fazenda Real, das datas de
demarcações, que a escrevi...”
Fonte:
Ana Lunara da Silva Morais, Carmen Margarida Oliveira Alveal, Elenize Trindade
Pereira, Marina Monteiro Machado e Thiago Alves Dias – Capitania do Rio Grande
(do Norte), 1600 – 1831- Páginas 235 e 236.
Evidência de habitação:
Mesmo no litoral oriental
da Capitania, a ocupação ainda era praticamente inexistente ao norte de Natal
ainda no início do século XVIII. Nas proximidades do Ceará-Mirim havia várias
fazendas, mas Taipu, a noroeste de Natal e situada a cerca de 50 km da capital
potiguar, era a aglomeração mais ocidental da zona litorânea da Capitania ainda
em 1712 (Rubenilson Brazão Teixeira, 2009, p. 377, 387).
Fonte:
Rubenilson Brazão Teixeira - Gênese e formação histórica do território
potiguar: uma breve análise a partir da cartografia.
No diário de viagem de João da Mata Gama:
No diário da viagem de
regresso para o Reino, de João da Maia Gama, em inspeção das barras dos rios do
maranhão e das capitanias do norte, regresso iniciado aos 4 de setembro de 1728
e, já às margens do Rio Ceará Mirim, no ano de 1729, quatro lugares são citados
com nome de Taipu:
“...Pelo que apressamos a
viagem e a 22 partimos e passamos o dito Cearamirim doze vezes que estava seco,
e passamos o sítio chamado o Taipu, e o Caruru e fomos a fazenda chamada a
pedra da Boa Água...”
“...A 7, saímos desta
fazenda e marchamos também por águas e lamas que chegavam até as selas,
passamos o Primeiro Taipu e com chuva continuada já montados a cavalos e com
bastante perigo atravessamos a várzea que chamam do Taipu, e baixos cheios de
água que nos chagava até as barreiras da sela e marchamos molhados já de noite
com um guia para nos livrar do negregado rio Cearamirim, e nos fomos aquartelar
no sítio Taipu de Baixo...”
Fonte:
Hélio Galvão. História da Fortaleza da Barra do Rio Grande. MEC, Conselho
Federal de Cultura, 1979. Pág. 277, 278, 279 e 280.
Criação da Vila de Extremoz:
Até a criação da Vila de
Extremoz, o curado de Taipu pertencia à freguesia de Nossa Senhora da
Apresentação de Natal
O Desembargador Bernardo
Coelho da Gama Casco instalou, aos 03 de maio de 1760, o Município e Freguesia
da VILA NOVA DE SÃO MIGUEL DE ESTREMOZ DO NORTE.
“Ainda com os olhos
cheios d’água pela ausência dos jesuítas amigo, GUAGIRU assistiu no dia
3-5-1760 a mudança do nome de sua terra, quando o desembargador BERNARDO COELHO
DA GAMA CASCO, dando os 3 vivas rituais ao REI DE PORTUGAL, declarou instalado
o Município e Freguesia de VILA NOVA DE S. MIGUEL DE ESTREMOZ DO NORTE,
transladando para o Brasil o nome do bucólico aduar mourisco de Alequer”
Fonte: Júlio Gomes de
Senna. Ceará Mirim Exemplo Nacional – 1938 – 1972, Volume I, 1974 – Página 419
Registros de Taipu nos
livros da antiga Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal:
Adriana, filha legitima
de Pedro Coutinho natural do Curado do Taipu e de [?] Maria desta
freguesia neta por parte paterna de Joze [?] natural de Serinhaem e de Dona
Maria do Padro natural das Alagoas e pela parte materna de Rogerio de Olanda e
Anna Maria naturais desta freguezia nasceu aos quatro de fevereiro do anno de mil
setecentos setenta e três e foi batizado com os santos óleos de licença minha
na Capella de Nossa Senhora da Conceição do Jundiahi pelo Padre Theodozio da
Rocha Vieira Vigario da Villa de Sam Joze aos vinte e nove de junho do anno
digo do dito anno; foram Padrinhos Bento do Rego Bezerra e Bernarda Correa de
Araujo, sua mulher moradores digo mulher do Sargento mor Rodrigo Alvares
Correa; De que mandei lançar este assento em que me assiney. Pantaleão da Costa
de Araujo, Vigario do Rio Grande
Antonio, filho legitimo
de Joze da Fonceca Lira natural do Taipu, e de Thereza Maria de Jezus da
freguezia de Nossa Senhora dos Prazeres de Goyaninha, neto por parte paterna de
Francisco Lopez e de Bernarda Bezerra, naturais do Taipu, e pela materna
de Joam Manoel de Viveiros natural da dita freguesia de Goyaninha, e de Luiza
Tavares da Villa de Goyana freguesia de Nossa Senhora do Rozario, nasceu no mês
de maio do anno de mil setecentos e setenta e quatro e foi batizado com os santos
oleos de licença minha na Capella do Jundiahi pelo Padre Joam Tavares da
Fonceca aos vinte e cinco de Junho do dito anno; foram padrinhos [?] Duarte e
Felipa filha do dito; do que mandei lançar esse assento em que me assinei.
Pantaleão da Costa de Araujo, Vigario do Rio Grande.
Fonte:
Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, livro de assento de
batismos. Documento digitalizado e disponibilizado via https://www.familysearch.org/ark
A Sesmaria da Serra Pelado, do Padre
Fidelis:
O Padre Fidelis de Paiva Ferreira, ao que tudo indica,
foi o “arquiteto” da Vila de Taipu.
“...Fazemos saber aos que
esta carta de data e sesmaria virem que porquanto nos enviou a dizer por sua
petição, cujo teor é o seguinte: Ilustríssimos senhores do governo interino,
diz Fidélis de Paiva Ferreira da capitania da Paraíba que nesta do Rio Grande do
Norte se acha uma porção de terras devolutas e desaproveitadas, dos providos do
rio Ceará-Mirim para a parte do sul, buscando, diz no lugar intitulado Serra
Pelada, ficando-lhe o sítio do Juandú ao poente e o do Mar Coalhado do
nascente, as quais terras são secas e de caatingas, que servirá para criar seus
gados, fazendo-lhe algum benefício, como pretende o suplicante, à vista de sua
fazenda, e requer que se lhe concedam três léguas da mesma terra, fazendo pião
no mesmo lugar da Serra Pelada com légua e meia para a parte do rio
Ceará-Mirim, que fica ao norte, e légua e meia para a parte de Camaragibe, que
fica ao sul, e légua e meia para o Mar Coalhado, que fica no nascente, e légua
e meia para o Juandú, que fica do poente ou como melhor conta fizer ao suplicante
na forma da taxa ou fazendo pião como diz onde melhor conta lhe fizer, mandando
lhe passar a referida data na forma das reais ordens, para si e seus herdeiros,
ascendentes e descendentes, pagando o dízimo a Deus dos frutos da dita terra....”
“...Ilustríssimos
senhores governadores interinos, com a informação do escrivão da Real Fazenda,
informo as Vossas Senhorias, à vista da qual e das reais ordens mandarão o que
forem servidos. Natal, 13 de setembro de 1811 // Manuel Inácio Pereira do Lago
// Informe o escrivão deste Senado. Cidade do Natal, em vereação de 28 de
setembro de 1811...”
Fonte:
Ana Lunara da Silva Morais, Carmen Margarida Oliveira Alveal, Elenize Trindade
Pereira, Marina Monteiro Machado e Thiago Alves Dias – Capitania do Rio Grande
(do Norte), 1600 – 1831- Página 404.
O Correio para Natal, passando por Taipu:
“...O Correio fora estabelecido pela Real Ordem de 26
de fevereiro de 1798. O governador da Capitania do Ceará criou-o na sua
jurisdição em 1/] de maio de 1812, dirigido pelo escrivão da Junta da fazenda.
O caminheiro, como se chamavam, passava por Mossoró e Assu e recebia
correspondências ainda em São José de Mipibu indo para a Paraíba e daí a
Pernambuco...”
“...Em 22-11-1817 o
governador da Capitania do Rio Grande do Norte, senhor José Inácio Borges,
respondendo ao general Luís do Rego Barros, governador de Pernambuco, enviava
pormenores sobre a ligação de um serviço mais completo de correio desde a
Capitania do Ceará. Informava mesmo que “a Fazenda Real e os particulares fazem
não pequena despesa com correios a Pernambuco” e propunha que o caminheiro
viesse à cidade (de Natal), mostrando conveniências incontáveis. Do lugar Cruz
de Taipu de Fora, ponto de confluência das duas estradas para a vila de São
José pela Utinga e para a mesma Vila de Natal, seria uma pequena diferença de
cinco léguas. E demonstra: “Da Cruz do Taipu de Fora ao engenho da Utinga são
cinco léguas e desta à vila de S. José, nove, total de treze léguas. Da mesma
Cruz do Taipu de Fora à vila de Estremoz são cinco léguas; de Estremoz a Natal,
três léguas e do Natal a S. José, nove léguas, total dezessete”. Sugeria um
administrador em Natal com ordenado anual de 50$000. Os caminheiros seriam indígenas
de Estremoz, ganhando 240reis diários...”
Fonte: Luís da Câmara
Cascudo. História da Cidade do Natal – Correio e Telégrafo. Páginas 318 e 319.
Efervescência religiosa na Serra Pelada do
Padre Fidelis:
O ano de 1838 foi de
efervescência religiosa na Serra Pelada, conforme constata-se pelos registros
dos livros de assentos de batismos e casamentos, da paróquia de Nossa Senhora
da Conceição de Ceará Mirim. Os eventos, realizados no oratório privado do dito
padre.
Como exemplo, um registro de batismos que teve como
padrinhos Manoel Gomes da Costa e sua mulher Clara Maria de Jesus (Paiva).
Manoel Gomes e Clara foram os patriarcas da família Gomes da Costa, uma das
principais famílias da Vila de Taipu.
“Aos nove de Setembro de
mil oitocentos e trinta e oito no oratório da Pelada, o Padre Fidelis de Paiva
Ferreira, de lincença, baptizou e pos os Santos Oleos a João, nascido a dois
meses, filho legitimo de José da Rocha e Franca Maria, foram Padrinhos Manoel
Gomes da Costa e sua mulher Clara Maria de Jesus, e para constar mandei este
assento que assignei.”
Fonte:
Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Ceará Mirim / RN, Livro de Assentos de
Batizados, de 1838 a 1848, pág. 155. Documento digitalizado e disponibilizado
por https://www.familysearch.org/ark
O requerimento para
construção da Capela à Nossa Senhora do Livramento:
Bernardo José da Costa
Gadelha, desejando ver na sua propriedade o surgimento de um núcleo de
população e aliando a esse voto, uma devoção a Nossa Senhora do Livramento,
resolvem, ele e sua mulher D. Maria do Carmo, doar um pedaço de terra para a
edificação de uma capela àquela Senhora.
Encontrando-se em São
Gonçalo, em visita pastoral, o bispo diocesano Dom João da Purificação Marques
Perdigão, a 2 de outubro de 1839, Bernardo José, chega a presença do prelado
com um requerimento, pedindo licença para edificar uma capela a Nossa Senhora
do Livramento, no Taipú do Meio, com direito celebração de Missas. O bispo
anuiu seu pedido, na condição, se que seja antes doado o patrimônio e para a
benção litúrgica da capela, seja ela examinada pelo vigário de Extremoz.
Fonte:
Monsenhor Severino Bezerra. Nossa História – Taipu. Jornal “A Ordem”, edição de
30 de novembro de 1963, Página 6.
Nota:
Este encontro, em São Gonçalo, de Bernardo José com o bispo Dom João, deve ter
acontecido após a passassem do religioso por Taipu, assim, da data de 2 de
outubro de 1839 e conflitante com os dias em que o Bispo ficou em Taipu, 8 a 10
de novembro de 1839.
Passagem do Bispo Dom
João da Purificação Marques Perdigão Purificação por Taipu:
Nos dias 8, 9 e 10 de
novembro de 1839, passou por Taipu do Meio o Bispo de Olinda Dom
João da Purificação Marques Perdigão Purificação.
“Dia 9. Despachei 2
requerimentos do padre Gama, recebidos no mesmo dia, e atendendo à longitude de
muitas pessoas, que estavam chegando, e como era mister que todos os crismandos
recebessem a imposição de mãos, fui obrigado a principiar a ação do santo crisma
pelas 8 horas da noite, administrando este sacramento a mais de 1.000 pessoas,
terminando depois da meio noite, antes
da qual supliquei a comida de uns ovos fritos, por não poder fazer a
prática sem alguma refeição em consequência de ter jantado com muita
parcimônia. Esta prática finalizou pela uma hora, assistindo muito maior número
que os crismandos. Nesta noite veio ter comigo o reverendo Fidelis para me
cumprimentar, tendo idade de 70 anos.”
Fonte: Francisco
Fernandes Marinho – O Rio Grande do Norte sob o Olhar dos Bispos de Olinda.
Páginas 99 a 100.
Boca da Mata passa à
categoria de vila e muda nome para Ceará Mirim:
Em 1855 o povoado de Boca
da Mata foi elevado à categoria de Vila, por iniciativa do Deputado Manoel
Ferreira Nobre, apoiando e aplaudindo o projeto, o Deputado José Alexandre
Seabra de Melo dirigiu-se à Assembleia Legislativa Provincial, em 16-7-1855,
pedindo a transferência da sede da Vila Nova de Estremoz do Norte, para Boca da
Mata, com o nome de Briosa Vila de Ceará Mirim.
Esse elogioso
qualitativo, devido aos nobres feitos dos índios Poti e aos dedicados e
estudiosos homens do vale, provocou protestos em Estremoz, liderados por
Jerônimo Cesar de Andrade, que apresentou à Assembleia, em 2-8-1855, um
abaixo-assinado, com 486 assinaturas e um contra-protesto do “Presidente”
Antônio B. Ramos. Visavam, por certo, um retardamento ou anulação da mudança.
Em 9 de agosto de 1955, porém, Francisco Antônio Lopes de Vasconcelos,
Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, mais 4 Vereadores e 93 assinaturas,
aplaudindo a transferência, dirigiu-se, em ofício, à Assembleia Provincial.
Asim um novo projeto foi
aprovado por Lei Provincial 321, de 18-8-1855, sancionada pelo “Presidente”
Antônio Nogueira de Passos, retirando J. M. Júlio Chaves o qualitativo de e
promovendo a mudança para Vila de Ceará Mirim, sem o adjetivo “Briosa”.
Em atenção às reclamações
chegadas, ainda o Presidente Antônio Bernardo de Passos, pela resolução 345, de
4 de setembro de 1856, suspendeu a execução da lei 321 e condicionou a
transferência à construção da Cadeia e da Intendência Municipal (Casa da
Câmara).
Em 30-7-1858, o
“Presidente” Nunes Gonçalves assinou a Lei 370, tornando sem efeito a suspensão
da transferência, que se realizou normalmente, e o povoado passa a chamar-se
Vila de Ceará Mirim.
Fonte: Júlio Gomes de
Senna. Ceará Mirim Exemplo Nacional – 1938 – 1972, Volume I, 1974 – Páginas 457
e 458.
Criação do distrito de
paz de Taipu do Meio em 1851
Conforme Câmara Cascudo
(2002) informa no ano de 1851 foi criado o distrito de paz do Taipu do Meio,
pertencente ao município de Ceará Mirim. Cascudo não fornece maiores
informações sobre a criação do distrito, tão pouco se encontrou documentos que
corroborasse essa informação.
Segundo as leis vigentes
à época um distrito só era criado caso atendesse a certos requisitos básicos,
como ter uma feira regular, por exemplo, ou uma escola, mas o mesmo Câmara
Cascudo informa que a primeira escola em Taipu só foi criada em 1864.
Fonte: João Batista dos Santos – Crônicas Taipuenses.
Autorização para
construção da capela de Nossa Senhora do Livramento:
Dom João da Purificação
Marques Perdigão
Bispo de Pernambuco
Fazemos
saber, que nos enviaram a dizer os habitantes da Picada do Ceará Mirim, da
Freguesia de Extremoz, que eles queriam erigir uma Capela por invocação de
Nossa Senhora do Livramento, em lugar decente, para o que já haviam constituído
suficiente Patrimônio, pedindo-nos por fim de sua suplica lhes concedêssemos
licença para se erigir a dita Capela, e benzer a primeira pedra, e a lançar no
lugar costumado. E atendendo nós a sua justa suplica, visto ser obra tão pia do
serviço de Deus, e bem das almas, por nos acharmos legitimamente impedido para
fazermos pessoalmente esta função, que só a nós pertence de direito, cometemos
nossas vezes do Reverendíssimo Pároco da dita Freguesia, para que possa benzer
a primeira pedra, sendo afeiçoada por oficial de pedreiro, com as cruzes
necessárias, e lança-la no lugar, que lhe compete, segundo as disposições do
Ritual Romano; e depois de ereta se requererá a bênção dela. Dada em visita na
vila do Jardim sob o sinal de Nosso Reverendíssimo visitador ao 11 de novembro
de 1861. Eu Padre Francisco Adelino de Brito Dantas a escrevi.
Francisco
Justino Pereira de Brito
Vigario
Visitador.
Fonte: Livro Tombo Nº 1,
Paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Taipu -RN. Página 64.
Lavratura do termo de
doação da Terra da Santa
A “Terra da Santa” ou
Patrimônio de Nossa Senhora do Livramento era uma porção de terra, no lugar
denominado Taipu do Meio, na Picada do Ceará Mirim, que fora doada, para a construção
de uma capela em homenagem à santa de devoção da família dos doadores, que era,
justamente, Nossa Senhora do Livramento. Os doadores foram o Senhor Bernado
José da Costa Gadelha e sua esposa, Dona Maria Ignácia do Carmo, que tinham a
posse da terra por compra aos senhores Domingos Henrique de Oliveira e Manoel
Bento.
“...; que essa terra
livre e desembaraçada e nessa conformidade doão dela ou nela, cento e vinte e
cinco braças em quadro que servirão ao Patrimônio de Nossa Senhora do
Livramento, e para a ereção de uma Capela ali pertencente a essa Senhora, que
será a posse no quadro da povoação de Taipu do Meio, pegando da Alagoa
denominada Buraca para o Sul, e do Leste a oeste, até onde der as cento e vinte
e cinco braças da presente doação sempre medidas em quadro; ...”
“...; e esta doação só
terá lugar no caso de se edificar a capela da Senhora do Livramento, e no caso
disso não se realizar ficará de nenhum efeito a presente doação, e voltará a
terra aqui doada para eles doadores ou para seus herdeiros.”
Fonte:
Lavratura do termo de doação realizada no Segundo Cartório Judiciário de Ceará
Mirim, conforme consta no Livro de Notas no 3, nas folhas 28v a 30, com data de
vinte nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um (29/11/1861).
Inauguração
da Capela
Não temos uma data certa
da construção da capela após a doação do patrimônio pelo Bernardo José (da
Costa) Gadelha, no entanto, podemos julgar que tenha sido em 1962 ou 63 e desse
modo a atual Matriz entra na data de seu jubileu, no primeiro centenário de sua
construção.
Fonte:
Monsenhor Severino Bezerra. Nossa História – Taipu. Jornal “A Ordem”, edição de
30 de novembro de 1963, Página 6.
Primeira
escola de Taipu
É de crer não ter
existindo escolas em Taipu antes da primeira metade do século XIX. Foi a partir
da segunda metade do século, que o Governo Provincial, através da Lei nº 566,
de 21 de dezembro de 1864, criou uma cadeira de primeiras letras para o sexo
masculino, no então Povoado de Taipu do Meio. No ano de 1875, o professor
Lourival Soares da Câmara lecionava na cadeira de primeiras letras do sexo
masculino na Povoação de Taipu.
Fonte: Gustavo de Castro
Praxedes – Conhecendo Nosso Município (História de Taipu) – Página 7.
O
primeiro registro que encontramos da Capela de Taipu
Aos vinte e um d’Outubro
de mil oito centos e sessenta e seis na Capela do Taipú desta freguesia
corridos os santos just trid, uni em matrimônio com a solenidade das bençãos os
contratantes José Barbosa Maciel e Maria Magdalena Barbosa, elle filho legitimo
de Manoel Antônio Barbosa e Maria Joaquina da Conceição e ella filha legítima
do finado Felippe Santiago Barbosa e Antônia Maria da Conceição, sento
testemunhas Antônio Gomes Rodrigues da Silveira e Manoel josé de Farias. Do que
fiz este assento que assigno. Targino Paulino de Carvalho Parocho Collado
Fonte:
Paroquia de Nossa Senhora da Conceição de Ceará Mirim, Livro de Matrimônios nº
4, de 1864 a 1873, página 56, assento 122 – Documento digitalizado e
disponibilizado por https://www.familysearch.org/ark
Criação
da escola para o sexo feminino
A Lei nº 843, de 23 de
junho de 1882 criou uma escola para o sexo feminino em Taipu.
ART. 2º Ficam criadas
para o sexo masculino uma cadeira na povoação de Perequito, uma na do Jardim,
uma na de São Fernando e uma 2ª na cidade do Príncipe; e para o sexo feminino:
uma na povoação de Taipú, uma na Areia Branca, uma na do Espírito Santo, e
outra na freguesia de Santa Rita na Cachoeira, e
uma 2ª na cidade de Ceará Mirim, outra na de São José do Mipibu e outra em
Macau.
Fonte: Collecção de Leis
Provinciaes do Rio Grande do Norte – Anno de 1868, Edição de 00001 de 1882,
página 8.
Emancipação
política de Taipu
O município de Taipu, na
zona agreste do Rio Grande do Norte, foi criado no governo de Dr. Francisco
Amintas da Costa Barros, pelo Decreto nº 97, de 10 de março de 1891. O povoado
de Taipu, elevando-se à categoria de vila passara a constituir a sede do
município do mesmo nome, com o território desmembrado do município d Ceará
Mirim. O Decreto nº 457, de 29 de março de 1938 veio conferir depois o título
de cidade À então vila de Taipu.
Fonte: Nazareno Nogueira
– TAIPU, página 7.
Sobre o movimento que
levou Taipu à emancipação, não se sabe, nenhum registro foi encontrado, a
possibilidade do Coronel Felismino Dantas, o grande líder político da região,
ter encabeçado tal movimento, é pouco provável, visto que, na primeira eleição
de Taipu, quando já emancipado, aos 10 de maio de 1891, para a assembleia
constituinte, o Coronel Felismino obteve na primeira urna, apenas 11 votos, enquanto
os concorrentes mais votados obtiveram 70 votos, além de que, o coronel Manoel
Eugênio Pereira de Andrade, o principal aliado político de Felismino Dantas, na
Vila de Taipu, não foi nomeado a nenhum cargo publico na vila, nem antes nem
depois da emancipação, embora tenha sido presidente da intendência, por vários
mandatos consecutivos, mas sempre por eleição direta.
Os
primeiros presidentes da intendência, nomeados
1º Capitão Cândido Marcolino Monteiro, de 03/04/1891 à
30/12/1891 – 8 meses e 27 dias.
2º Joaquim Manoel de Souza, de 31/12/1891 à 09/03/1892 – 3
meses e 10 dias.
3º Silvino Raposo de Oliveira Câmara, de 10/03/1802 à
15/09/1892 – 6 meses e 5 dias.
Fontes:
Nazareno
Nogueira – TAIPU, página 17.
Jornal
“A REPÚBLICA” edição nº 143, de 16/01/1891 – Exoneração de Cândido Marcolino
Monteiro e nomeação de Joaquim Manoel de Souza.
Jornal
“A REPÚBLICA” edição nº 157, de 19/03/1892 (a data em referência é 09/03/1892)
– Exoneração de Joaquim Manoel de Souza e nomeação de Silvino Raposo de
Oliveira Câmara.
Primeiros
intendentes eleitos
O presidente da intendência equivalia ao cargo de
prefeito enquanto os intendentes era o que se denomina hoje de vereadores.
Na eleição realizada aos 11 de setembro de 1892 forma
eleitos para a gestão do triênio de 1893 a 1895, os seguintes postulantes:
Francisco de Paula Paiva -
presidente da intendência
João Estanislau de
Oliveira – intendente
Cel. Manoel Eugenio Pereira
de Andrade – intendente
Henrique Basílio do Nascimento
– intendente
Vicente Rodrigues da Câmara
– intendente
Manoel Gomes Cavalcante –
intendente
Francisco Guedes da
Fonseca Taboca - intendente
Fonte:
Jornal “A República”, edição nº 183, de 17 de setembro de 1892, página 3 –
resultado das eleições municipais.
Arnaldo Eugenio de Andrade, 12 de março de 2025